quinta-feira, 4 de abril de 2013
Termas Romanas do Alto da Cividade
Em 1977, escavações arqueológicas no local puseram a descoberto as ruínas de umas termas públicas junto ao "Forum" da antiga cidade romana de "Bracara Augusta", situado, segundo a tradição, no atual Largo de Paulo Orósio.
Na colina do Alto da Cividade situa-se um vasto edifício público, com funções de balneário (descobriram-se mais três, mas foram destruídos).
Erguidas na segunda metade do séc. I, estas termas aproveitaram parte da estrutura de um edifício anterior, datado do tempo de Augusto, ou do período Júlio Cláudio.
As termas públicas, quase sempre mantidas graças ao cuidado dos municípios e ao trabalho dos escravos, eram edifícios sujeitos a grande degradação, o que explica as suas frequentes remodelações.
Esse foi, também, o caso do edifício das termas do Alto da Cividade, que regista três reparações e uma profunda remodelação (4 fases construtivas), ocorrida nos finais do séc. III/inícios do IV, que alterou profundamente a organização dos seus espaços.
O edifício parece ter mantido a função de balneário público até ao séc. V. As sucessivas alterações sofridas, o desmonte de alguns dos seus muros, dos quais apenas se conservam as valas de saque e, finalmente, os rasgões feitos na estrutura do edifício, nos anos 70, para implantação de infra-estruturas destinadas à urbanização do sítio, tornam difícil a sua rápida compreensão.
No entanto, no local são facilmente reconhecíveis os hipocaustos das salas quentes, correspondentes aos caldários e tepidários, bem como as zonas frias, frigidários e os prefúrnios, onde os escravos queimavam a lenha, para aquecer as salas, através do ar quente que circulava pelo subsolo do edifício, ou ainda pelas tubuluras existentes no interior das paredes.
São igualmente visíveis as condutas destinadas a recolher a água das piscinas. Podem também observar-se diversas salas com pavimentos de opus signinum, restos de piscinas, umas quentes, outras frias.
Na zona exterior, a palestra, o termalista podiam exercitar o corpo e socializar. O banhista devia começar por untar o corpo com óleos e praticar alguns exercícios de ginástica, desporto ou luta livre. Entrava depois numa sala muito aquecida, o sudatório, onde transpirava abundantemente.
Passava então ao caldário, sala ainda aquecida, onde podia lavar-se e retirar os restos de óleo. Depois de uma curta passagem pelo tepidário, mergulhava na piscina do frigidário, cuja água gelada lhe revigorava o corpo, sendo em seguida massajado e untado de óleos aromáticos.
Encontram-se classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto nº 1/86, publicado no DR, I Série, nº 2, de 3 de janeiro de 1986.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário